18/04/2011

Patti Smith

têm me inspirado nos últimos dias. Alguns livros chegam em nossas mãos como milagres que caem do céu. Comecei a ler Só Garotos no café do aeroporto, estava adiantada 2 horas, pedi um capuccino duplo e sentei ao lado de uma mesa com um executivo meia boca que tomava choop enquanto esperava a hora do check in.
A tempos passei a ligar menos para o visual, comecei a vestir humor, ainda assim tenho minhas roupas prediletas (que sabem o dia certo de sair do armário). Não costumo usar maquilagem de dia, só filtro. os óculos disfarçam as olheiras, o oculista proibiu qualquer mack-up devido a uma hipersensibilidade na vista, minhas bochechas são naturalmente rosadas e ainda não tenho rugas nem manchas para esconder.
Passei do Prefácio para Filhos da Segunda Feira e fui lendo... virava as páginas como se engolisse o choro de quem é tocado na alma. Por um momento abracei o livro e resgatei o meu amor pela textura do papel e toda aquela sintonia maluca junto do burburinho de aviões que decolavam dentro de mim.
No aeroporto as pessoas se comportam muitíssimo bem, aparentam estar em dia com as contas e com os afetos. Um dos pseudos executivos que está na mesa ao lado não disfarçou para o verde da minha tatuagem (assim como crianças de 6 anos apontam com os olhos grandes).
Patti entenderia meu deslocamento beatnik no aeroporto da pampulha. Ninguém consegue entrar na sala de embarque sem antes analisar o visual excêntrico acompanhado de uma pena de pavão no braço branco da menina que lê Só Garotos.



Um comentário:

  1. ... e a garota do outro lado do saguão com chapéu panamá e botas douradas acena para você e pisca o olho; "bela leitura, garota".

    ;)

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