03/12/2012

Ana

Era bonita, uma beleza que apavora. Estávamos no mesmo ciclo de pessoas numa festa de engenharia ambiental. Sempre tive uma certa antipatia de pessoas belas demais, sou mais chegada às imperfeições. Certa hora da noite a gente estava uma ao lado da outra: ela não era só loira dos olhos verdes, ela era mais legal do que a soma dos meus amigos legais. Estávamos num sítio perto de Confins, com bandas muito boas, telescópios reais, vi saturno e escutei os comentários gregos de quem se amarra em telescópios. Estava combinado que todo mundo ia pra dormir lá, na barraca ou no carro. Fez calor, eu tinha um vestido na mochila, mas não tinha o sutiã. Ana disse que trouxe um a mais, rimos, parecia que a gente se conhecia a 5 anos. Conversamos sobre tudo. fomos no banheiro juntas  e eu comentei "quem empresta sutiã pra uma desconhecida " (eu faria o mesmo) e ela disse "meu terapeuta fala muito a respeito disso, que eu tenho o coração muito aberto, que eu devia me controlar". Fiquei indignada e falei que sou dessas que tem o coração escancarado. Madrugada foi e o banheiro ficou asqueroso, fomos no mato e rimos de como as coisas estavam acontecendo. Independente do depois, independente de telefones; eu e ela sabíamos que aquele dia, saturno nos eternizaria. Fomos dormir no quarto (estávamos com a banda) uma cama de casal pra 4. metade do estrado quebrado, tinha um tijolo que segurava um pé da cama, o quarto não tinha porta, foi aí que eu entendi o roots da engenharia ambiental e hippies em geral, fomos dormir umas 4 horas depois, rimos e equilibramos os nossos pesos naquela "tauba". Improvisamos uma "porta" com uma cama de solteiro. Nosso segundo encontro ela não só me deu as mãos, como os braços, a paciência e até conheceu meu avô. Terceiro encontro: meu aniversário. Quarto encontro: festival de jazz. Poucos encontros, milhares de sms e ligações de 30 minutos, muitas risadas.
ANA três letras duas vogais uma consoante, olhando pra ela é luz (que vem dos olhos). 
Escrevi sobre ela porque é um marco na minha vida e porque estou com saudade. Tudo começou com um sutiã; hoje Ana é amiga do peito. 


um beijíssimo pra ela, que merece todas as minhas palavras.