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04/05/2014

deslocamento dos sentidos metalinguísticos

 Escrever já foi faustoso, já foi esporte, já deu calos. Por que a vida não é só dormir, acordar, trabalhar, pagar as contas e ir pro bar esquecer a sucessão dos verbos domésticos de segunda à sexta. Escrever já foi expresso, primordial, factível; O amor já deu pano pra manga, judiou dos dedos, das noites. O amor já dormiu, acordou, trabalhou, pagou as contas do bar, cansou de se afogar em copos rasos de solução (etílica). O amor já se tornou olímpico, já me tornou cruel, já cansou de chorar em refrões tristes, já provou que de tão doce as vezes azeda, já virou ressaca, o amor o amor o amor não sai daqui, o amor aos verbos, o amor aos sujeitos que se tornam mais possessivos que os pronomes, o amor desequilibrado sem pontuação, sem início meio e fim, o amor com pausa para o café, o amor já foi perito na interpretação, julgou os pretéritos, queixou da falta de tempo, quebrou tudo e ajeitou palavra por palavra, maiúsculas vezes e depois, covarde, receoso e apavorado voltou a meter os és entre as mãos.