26/03/2011

suspiro deliberada

entre ruas entre nós

(há um parêntese)

no cais das tardes tristes.

19/02/2011

prodígio





O mundo era cafona como las vegas. Os casais sentavam nos restaurantes e faziam tipos que repetem eu te amo como pedem desculpas por corromper os direitos do homem. Tudo era patético, a cor dos lençóis, as comidas na geladeira,as fotos de turistas da classe média alta, bolsas de couro italiano, maquilagem victoria's secret, blusa gola polo, cabelos sem vestígios do tempo, botox, o marido que senta ao lado da filha (ignorando inutilmente o biotipo atual da esposa), a mãe que controla o pau do filho ao invés de simplesmente se preocupar com a alimentação, a filha que pede ao pai uma plástica de natal, os avós que ligam bêbados diretamente do casino, os tios que pedem grana emprestada, o genro que toma MD, a nora que oculta a gravidez, a amante que, enquanto tudo isso acontece em las vegas, atinge voluptuosamente o limite do quarto cartão de crédito do marido da amiga de infância que emagreceu 4kg para a viajem aos estados unidos com a família.

20/01/2011

minúsculas vezes negrito
o lado afetivo da
língua

maiúscula vontade de ser a
primeira
ou a última
letra do título

trema tanta vontade
entre mim entre áspas

como terminar a pauta
derramando
fora de paula?

23/11/2010

these words elope it's nothing like your poem

No meio da sessão de frios procuro camarão graúdo para o strogonoff, como cheira mal essa parte de frios, olhei pra cesta no braço e conferi se faltava mais alguma coisa além dos ingredientes principais; tava tudo lá além disso amaciante, biscoito recheado e coca light, tô esquecendo alguma coisa? sempre perco a listinha e que frio faz aqui, ah! achei o camarão catei com vontade e ao virar a embalagem para conferir a validade uma voz diz meu nome no diminutivo: olhos sobem sobrancelha assusta, oi ei, risos e aí, tudo bem? sorrisos amarelados como a lasanha da sadia, olhei pra prateleira de leite lá do outro lado e você elucida “olha! você ainda come passatempo?!” “É” você gesticula esfregando uma aliança de compromisso na minha cara, porra! E a validade do camarão? encosta no meu braço e nota que estou arrepiada e esquece da (nossa) sessão de frios, te corto como (faca) eu já ia esquecendo do creme de leite, então tá tchau então, outro sorrizinho meia boca. As cores do supermercado nunca me fizeram tão mal, já fui de chorar ao descascar cebola mas encontrar ex no supermercado é mais impessoal que ganhar porta-retrato de presente de aniversário.

24/09/2010

sopa de letrinhas

(Paula A & Rafael R)

um amontoado de palavras:
dormir de conchinha, esquecer de tudo, lençóis brancos, sonhar junto e sonhar um dentro do outro. tá com ciúmes, desejo, carícias, tô com frio, discussões, vem aqui, carne e espírito, baseado, kama sutra, sussurros, palavrinhas e palavrão. Diálogo, escândalo, Cazuza e poesia, como vc está cheiroso, hormônios, contato e masturbação, dormi pensando em, cérebro, bunda, falta de ar e disritimia. Beijos de novela,boa noite, cinema, motel e filme pornô. eu tenho razão, insanidade, lágrimas e boleros tristes. Falta, por que vc faz isso comigo? vazio, onde vc estava? falta de explicação, café da manhã, um cozinha o outro lava, trepar na pia da cozinha, na pia do banheiro, beber no mesmo copo, dividir guimbas, massagem, compartilhar toalha e escova de dente, planejar viajem, a nossa música favorita, fala-se de casamento ao invés de dizer que as coisas podiam durar para sempre, o quê que vc tá pensando? eu te amo, tô confuso(a), a comida que vc mais gosta, tudo na mesma comanda, chega pra lá, olha essa foto nossa, eu gosto quando vc usa isso,quando fala isso, eu odeio quando vc se banca de esperto, por que vc não atendeu? sabe aquele dia? qual a senha do seu email? você não confia em mim? Você disse que ia, guarda a minha chave, ai que saco, me dá um pedacinho do seu, é surpresa, ah não, vc está cansado de saber disso, segredo,número e pronome eu e você(dois pontos) nós dois.


*Rafael R http://simpazzz.blogspot.com/
*

21/09/2010

DIA DA ÁRVORE


Ser Clarisse não é fácil, não tem limite;está claro, sobra risada,loucura e lembrança.
Ser Kk e estar longe do calor brasileiro nesse embate de 22 primaveras é osso! Na esquina da Herculano de Freitas com a Oscar Trompowisky está escuro, em Tiradentes não tem festa, mas tem telefonema ,tem mãe assustada com a idade e com a distância tem irmão pensando na festa que estaríamos fazendo. Em BH falta pau pra toda AObra, sobra cortesia,faltam clubes,sobra saudade. Conexão Br sopra as melhores energias do mundo pra esse Canadá cheio de mistérios e borboletas

20/09/2010

com surdina

ritmo biertrand num feeling chet
as vezes pinta um sax
bebop é ritual poético with soul
eu oboé em banda de jazz
progressão desarmônica:
distância não improvisa
sobre tom
ele não entende que a aliança faz parte do trompete
(vide título)

13/09/2010

Adjuro sensibilidade

na escrita. O lado emotivo se amarra na poesia:ato voluntário. A linha termina e algo se divide: significado trigêmeo,eu,você e ele. Zeus, sussurre progressivamente, não há pausa pra tantas vozes, essa linguagem que meta os és entre as mãos, meus dedos andam surdos, sobra espaço, o fetiche figurado se identifica com a palavra como o fiel e sua prece, longe de ser sagrada,sou displicente.
Ponte parágrafo,perdoo os sujeitos e os atos, mas conjugo todas as pessoas na plural capacidade de julgar,quem, e, quando cúmplice, padecer de culpa. Abençoada seja a margem poética, Apóstrofe:frase que soa como salmo. O discurso faz milagres.Narrar dor maniqueísta é como confessar; conjuga o verbo em todas as pessoas e ainda oculta a causa. Já sabemos da penitência, versifiquemos.

07/08/2010

O destinatário não precisa ser chamado pelo nome,


Decidi retirar as pedras que tampavam a ferida, como é vermelho o inacabado. prossigo, viajei olhando o céu as árvores... e o vento soprava uma nostalgia descarada, nuvens antigas. Você, que sonha e acorda triste, prospera intensidade mas se contenta com mixarias, palavras ocas, corpos vazios, almas perdidas. digo que as pedras que carrego no peito são as mesmas que pesam na tua consciência: Sim, somos fortes e covardes, desviamos o curso de um rio que (ainda) não secou; A fonte dos dissimulados. Deito a cabeça no travesseiro como se no seu colo pudesse dormir em paz. Mas não há paz. Atravesso ruas e assuntos, imagino diálogos, ah quero te contar uma coisa, quero morrer sem culpa, entenda bem, não que eu queira morrer, a vida ainda reserva surpresas nos livros,lugares e pessoas que terão de participar dessa divina comédia. Quero viajar, quero emprego e décimo terceiro, filhos, quero morar numa casa com jardim, nesse jardim há um ipê branco que protege a mesa do nosso café da manhã. Talvez eu esteja sozinha com o café, as vezes imagino duas crianças dividindo o último pedaço do bolo. Cenário bucólico e delicado tenho o direito de abusar das fantasias. Como será o café das crianças daqui a 15 anos? Não quero pensar que eles vão tomar café na mesa, debaixo do ipê, jogando “videogame portátil”. Exorcizei terços do meu conto de fadas. Odeio tentar deduzir o futuro, tenho medo (e esperança) de que seja muito diferente ou previsível. Quero me surpreender, eu espero isso da vida. Espero um encontro de contra-tempos, espero dentro de um quarto claro, te quero por um dia como se te perdesse e nada mais. Quero fundir as partes de um mesmo átomo. O céu os lençóis macios, estou com sede e você com preguiça de me servir. Vai lá, abre a geladeira, abre o coração e derrete esse resto que nos resta. Você quer? Se fosse antes,seria você, mas agora eu quero água.


Beijos, beijos, beijos entre vírgulas sorrio de alegria e aflição,


você lembra da minha letra, dispenso a assinatura

28/06/2010

luzes vermelhas

As pernas se encontram
em contra mão
e mãos
a respiração
entra e sai
na mesma rua
na mesma nuca
os cabelos dançam
conforme os corpos
que giram
até sentir
o céu
é esquerdo o movimento
é direito o sentimento
amor:combustível que acelera

08/06/2010

Pósfácio

a sinceridade descreve
um parágrafo
e insinua
a transparência do discurso
pálido
como as páginas que se abrem
para mim;
porta
que se
abre com o vento.

06/06/2010